Ricardo Della Coletta

Após a identificação na semana passada de um caso atípico de vaca louca em Mato Grosso, o governo brasileiro suspendeu as exportações de carne bovina para a China.

De acordo com o Ministério da Agricultura, a suspensão é automática em razão de um acordo assinado entre o Brasil e o país asiático em 2015, que prevê esse tipo de medida.

A assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura afirma que a expectativa é que a suspensão seja levantada em breve, tão logo os chineses avaliem documentação já entregue às autoridades daquele país pela embaixada do Brasil em Pequim.

Na sexta-feira (31), a pasta confirmou a ocorrência, em Mato Grosso, de um caso atípico de doença da vaca louca. De acordo com o ministério, essa doença ocorre de forma “espontânea e esporádica” e não tem relação com alimentos contaminados.

“O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil suspendeu temporariamente a emissão de certificados sanitários até que a autoridade chinesa conclua sua avaliação das informações já transmitidas sobre o episódio, cumprindo-se, assim, o disposto no protocolo bilateral assinado em 2015”, argumenta a pasta, em nota publicada nesta segunda-feira (3).
Na sexta-feira (31), a pasta confirmou a ocorrência, em Mato Grosso, de um caso atípico de doença da vaca louca. De acordo com o ministério, essa doença ocorre de forma “espontânea e esporádica” e não tem relação com alimentos contaminados.
“Trata-se de uma vaca de corte, com idade de 17 anos. Todo o material de risco específico para EEB [doença da vaca louca] foi removido do animal durante o abate de emergência e incinerado no próprio matadouro. Outros produtos derivados do animal foram identificados, localizados e apreendidos preventivamente, não havendo ingresso de nenhum produto na cadeia alimentar humana ou de ruminantes. Não há, portanto, risco para a população”, disse o ministério em nota, na sexta-feira.

No mesmo comunicado, a pasta disse que as ações sanitárias de “mitigação de risco” foram feitas e que o Brasil notificou formalmente os países importadores de proteína animal bovina e a OIE (Organização Mundial da Saúde Animal).

O Ministério da Agricultura ressaltou ainda que o Brasil mantém a sua classificação em relação à doença, de “risco insignificante”.

A China é uma importante compradora de carne bovina no Brasil, tendo adquirido no ano passado US$ 1,49 bilhão do produto.

O tema foi levado ao presidente Jair Bolsonaro, que se reuniu nesta segunda-feira, no Palácio do Planalto, com a ministra Tereza Cristina (Agricultura) e com o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Alceu Moreira (MDB-RS).

O parlamentar disse que a suspensão às exportações de carne bovina para a China foi um ato de “precaução.”

“A ministra Tereza Cristina suspendeu porque um importador como a China precisa ser tratado com absolutas garantias, então nós fizemos isso muito mais por precaução”, disse Moreira.

Ele afirmou ainda que a OIE determinou o encerramento do caso.

“Isso está concluído, é um assunto que não existe mais”, disse o deputado. “Assim que tivermos a nota técnica [da OIE] que afirma que este fato foi concluído, imediatamente reaproximamos a negociação com a China para restabelecer o mercado”, acrescentou.

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