Nesta última segunda-feira tivemos mais uma paralisação das empresas de ônibus da capital. Milhares de cuiabanos foram pegos de surpresa e não conseguiram chegar a tempo no trabalho. Empresas deixaram de abrir suas portas e consumidores deixaram de consumir, o que acarreta em um enorme prejuízo para todos. Mas qual é a origem deste recorrente problema?

Explico: existem hoje apenas três empresas privadas que possuem concessão da prefeitura para fazer o transporte coletivo em Cuiabá. Todas atrasaram o pagamento de salários no mesmo dia. Será que é malandragem? Será que não combinaram de não pagar os salários para forçar uma greve e aí poder pressionar a prefeitura a aumentar o valor da passagem ou para obter melhores condições para a próxima licitação?

É urgente que haja uma real abertura de mercado para que diversas empresas de ônibus e vans possam oferecer serviços de transporte num ambiente de livre concorrência. Aliás, onde foram parar todas aquelas simpáticas “lotações” que tão bem atendiam os cuiabanos em décadas recentes? Precisamos delas de volta.

O modelo atual permite que poucas empresas tenham o monopólio do serviço de transporte coletivo, no caso um oligopólio. Na prática, são cartéis protegidos pelo poder público.

O que nós do Partido Novo defendemos é o livre mercado do transporte público, semelhante ao modelo do Uber. Qualquer pessoa deveria poder empreender no setor, seja individualmente ou abrindo uma empresa de transporte de passageiros, utilizando motocicletas, carros, vans, micro ônibus, ônibus e etc . Que o Seu Zé lá do Tijucal ou o Seu Dito do Osmar Cabral possam transportar passageiros em sua região.

Atualmente temos ônibus de qualidade insuficiente, serviços caros e péssima alocação de recursos. Existe um planejamento central por parte da prefeitura que define quais são as linhas por onde os ônibus vão circular, quais são os horários, o que é obrigado e o que não é. Isso gera um problema de alocação de recursos. Acabamos tendo ônibus lotados em horários de pico e ônibus vazios andando durante a noite ou em bairros distantes, transportando poucos passageiros. Isso é desperdício de recursos.

E não há melhor forma de se alocar recursos do que com empresas privadas operando num ambiente de livre mercado. O empreendedor sabe que em determinado bairro só tem 5 ou 6 passageiros, então um veiculo especial vai suprir bem aquela região. Em horários de pico, quando há maior demanda e consequentemente preços mais altos, naturalmente mais pessoas são estimuladas a prestar seus serviços. Já em horários fora de pico, como tarde da noite e madrugada, a tarifa poderia ser reduzida, para estimular as pessoas a andarem naquele horário e assim tirar alguns veículos de circulação, ou até possibilitar a utilização de veículos menores, que têm custo mais baixo e possibilitam menor preço.

Quando há liberdade para explorar o mercado estamos dando mais oportunidades para que qualquer pessoa possa trabalhar, empreender e contratar, diminuindo o desemprego. Deste modo  as grandes empresas podem focar apenas naquilo que é mais produtivo e evitam desperdiçar recursos em bairros mais distantes ou em linhas menos utilizadas.

Enfim, num ambiente de livre concorrência há estímulos para que empresas e profissionais liberais possam competir pelos consumidores oferecendo melhores serviços e menores preços. Isso é o ideal para o cidadão.

Para completar, ainda acabamos com o obscuro sistema de concessão, que é recheado de desconfiança de licitações fraudadas, favorecimento, corrupção e paralisações forçadas. E o poder público, a prefeitura, pode focar naquilo que é realmente essencial – saúde, segurança e educação.  Remete os demais serviços para a iniciativa privada, que é muito mais eficiente.

Edegar Belz é empresário, analista de sistemas com MBA em Controladoria e Finanças, filiado ao Partido Novo e presidente do Instituto Liberal de Mato Grosso.

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