A capital de Mato Grosso completou 300 anos, mas os políticos estão fazendo o dever de casa que lhes foram confiados através dos votos depositados nas urnas,eis a questão.
Os partidos políticos precisam resgatar um papel de representantes de parcelas da população, tanto na formação de opinião como de cidadania.
Como você eleitor está analisando sua representatividade político nos rincões do estado? Do seu município? Sente-se bem representado? Com as promessas ouvidas durante o pleito eleitoral passado sendo cumpridos ou estão todos na estaca zero?

A última vez que o Brasil discutiu seu sistema político foi há mais de 30 anos, na promulgação da Constituição de 1988.
Contudo, a sociedade está constantemente mudando enquanto a legislação permanece a mesma. Por isso, o País precisa reavaliar o sistema eleitoral, o papel do Estado e de suas instituições por meio de diversas reformas políticas.

Pesquisas recentes apontam que 96% dos brasileiros não se sentem representados pelos políticos em exercício no país. Esse é o tamanho da dita “crise de representatividade” no Brasil. A população está claramente cansada da casta política que nos governa, mais empenhada em atender a interesses particulares do que públicos. Nada que venha da política parece funcionar: escândalos de corrupção, estados quebrados, violência urbana, caos na saúde, aumento das desigualdades.

O contrato entre representantes e representados foi quebrado. “Se com esses políticos não está funcionando, mudemos então os políticos”: partindo desse pressuposto, pessoas oriundas da sociedade civil e da iniciativa privada têm se reunido em grupos para lançar novos candidatos. São os chamados movimentos de renovação política.
O papel do partido, no mundo de hoje, continua a ser vital para a democracia como um agente de representação.

Vivemos em uma democracia representativa. Mas acho que falta ao partido se voltar ao eleitorado para explicar e esclarecer os sacrifícios que temos que fazer hoje para obter ganhos futuros, bem diferente de tentar “enfiar goela abaixo” do povo indo contrário às promessas feitas em campanha praticando com isso o que se conhece por “ESTELIONATO ELEITORAL”.
Não há nada mais normal do que querer mudar os políticos que estão aí, especialmente os do Poder Legislativo, que foram revelados ao vivo e a cores nesses últimos anos. O nível de nossos representantes é tão deplorável e a sua desconexão com os cidadãos é tamanha que urge substituí-los na próxima eleição.

Mas podem se perguntarem: No parlamento Estadual de Mato Grosso foram eleitos 14 novos deputados e no âmbito Federal 07 novos deputados federais. Logo, a alternância já acontece, os políticos são substituídos por outros. Ainda assim, o sentimento que predomina é o de que não há mudança e que a casta política é sempre a mesma, sempre corrupta.
Olhando atentamente para outros números, é possível perceber que, apesar dessa alternância, o padrão da classe política não se altera. É formada, em sua maioria, por homens brancos e ricos. A minoria dos mandatos dos deputados são mulheres, negros e no fim algum LGBT. O sentimento de falta de renovação não está relacionado, portanto, à alternância, que já ocorre, mas sim à pouca representatividade social dos deputados – representatividade que é princípio fundamental das democracias liberais.

Supondo que sejam exitosos, esses movimentos que estão ocorrendo em todo país seja de direita,centro,esquerda serão estes suficientes para alterar a percepção dos cidadãos brasileiros acerca da política? Será que basta ter um Congresso representativo e honesto? Ou será que a “crise de representatividade” se dá fora da relação entre representado e representante?
Para renovar a política é necessário o engajamento de cada um em sua vida cotidiana, fora das instituições, na construção da vida em comum, da igualdade, de uma sociedade democrática. A renovação política só existirá se for além da renovação de políticos.

A MUDANÇA COMEÇA A PARTIR DE NÓS. SOMOS EXEMPLOS NO SEIO FAMILIAR,NOSSOS FILHOS SERÃO NOSSOS REFLEXOS.
Por fim tenhamos em mente que essa capacidade de mudança não virá da boa vontade dos representantes, mas sim das ações coletivas que existem fora do Sistema.

Max Campos é Servidor Público Estadual, Secretário Sindical Estadual do PSB-MT e articulista político.

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