Voltamos um pouco na História. Em Mato Grosso já houve grandes líderes individuais que inspiraram a formação de grupos políticos. Vou citar apenas dois mais recentes: Júlio Campos e Dante de Oliveira. Tiveram muito poder pessoal, político e mando sobre grupos políticos. Foram transformadores também, por esse papel inspirador.

A queixa de que hoje faltam líderes procede. Se considerarmos o perfil individual como nos dois citados. Bom lembrar que o conceito antigo de líder é de que ele nascia pronto. Depois veio que ele é fruto das emergências. Depois, que ele deve ser capaz de interagir em grupo. O conceito mais atual e que deverá predominar por muito tempo é o de que o líder deve ter capacidade de coordenar em rede. Uma espécie de inspirador espiritual numa sociedade em que os jovens já não se guiam por outros motivos que não sejam a causa. Sem causas não se motivam.

Nesse caso, faltam líderes mesmo. O perfil ainda existente é de chefes. Chefes são coisas do passado. É quem dá ordens. Numa sociedade que está funcionando em rede, ninguém pode ser o líder permanente. A liderança ocupa espaços. Ninguém mais pode ser líder o tempo todo. Na política isso fica mais complexo porque ela está vinculada a partidos políticos. São organizações verticais de comando. Ora, se na base a sociedade funciona em rede, como alguém pode comandar uma rede complexa e diversificada?

Numa sociedade cada vez mais complexa e pouco disposta a obedecer ordens, fica muito difícil imaginar o seu funcionamento espontâneo. É indispensável que haja pessoas capazes de inspirar a rede pelo senso coletivo e não mais pelo desejo individual. Parece mesmo utópico. Mas vamos às famílias, onde todos temos uma relação cotidiana. Em recente palestra ao Partido Novo, em Cuiabá, perguntei aos presentes, todos muito jovens: como conversar com os jovens e com as crianças que estão chegando a respeito de política. “Impossível”, disseram todos. Concordei. Tenho netos. São independentes e espontâneos.

Pior: os próximos dirigentes já são adultos na faixa dos 30 anos. Estão entrando na vida profissional. Com seus smartphones são poderosos formadores e influenciadores de opinião nas suas redes sociais onde habitam. É a única linguagem que entendem. Definitivamente ninguém mais aceita ordens. Liderar passa cada dia mais a ser capacidade inspiradora, no máximo, coordenadora. Talvez, por isso, o imenso desgaste da política, dos políticos, das instituições públicas e privadas.

Afinal, quem fala a linguagem das redes sociais senão as pessoas que as compõem? Aliás, as mulheres são muito boas nesse campo das redes. Muito mais do que os homens, que precisam do comando pra chefiar!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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