Por Eduardo Moura — Direto de Buenos Aires/Ge

Um desavisado a olhar o jogo em um par de minutos poderia pensar que o Grêmio era o time argentino. Não por qualquer tipo de desejo ou identificação, mas pelo simples fato de reproduzir dentro do campo do Monumental de Núñez todas características geralmente mostradas pelos grandes clubes do país vizinho em duelos de Libertadores, como esta semifinal vencida por 1 a 0 diante de 60 mil torcedores do River Plate.

Conduzido por Renato, o Tricolor cozinhou o jogo com uma estratégia diferente, abdicou do seu estilo e deixou mais uma marca histórica na era vencedora atual. O adversário não era derrotado dentro de casa desde 26 de novembro de 2017. Fazia tanto tempo que ninguém lembrava a data de cabeça. Antes da entrevista coletiva, perguntava-se aos funcionários do clube argentino e também jornalistas quando havia sido o tropeço. A resposta era uma interrogação.

Portanto, faz quase um ano a derrota para o Newell’s por 3 a 1. Mas o Grêmio não sentiu-se intimidado. Dentro da nova expressão da moda, “sofreu o jogo”. Mesmo habituado a manter a bola e trocar passes, foi um time dedicado a marcar e evitar as principais jogadas do River.

Parou os lados do campo, fechou a frente da área e contou com Geromel e Kannemann em noite de nível elevado. O River só assustou com chutes de fora da área, todos defendidos por Marcelo Grohe.

– O Grêmio soube se comportar diante de um River assim. Por isso falei que deixou de lado o futebol que está acostumado a jogar e competiu, pela qualidade dos jogadores do River – comentou Renato.

– Sou um fã do futebol argentino, admiro, gosto que o Grêmio tenha essa fama de ser parecido com os argentinos. Acho isso um elogio ao Grêmio – acrescentou o vice de futebol Duda Kroeff.

As mais de 60 mil pessoas cantavam, claro – ainda mais forte depois do gol de Michel, aos 16 minutos do segundo tempo. Mas o Grêmio parecia surdo. A pressão do ambiente não influenciou em absolutamente nada no desempenho. O plano tático foi mantido até o intervalo.

Sem conseguir tramar ofensivamente, o resguardo defensivo era o trunfo para voltar vivo a Porto Alegre, ainda mais com as ausências de Everton e Luan. O primeiro deve ter condições de atuar na Arena, mas o camisa 7 sentiu uma nova lesão, agora muscular, na coxa direita, e deve desfalcar a equipe novamente.

Depois do jogo, o clima era de tranquilidade total. Os semblantes diziam “viemos, fizemos o nosso trabalho, vamos embora”. O sorriso no rosto estava presente até mesmo em Luan, que viajou mas não jogou. A serenidade do resultado, sem empolgação demasiada, dava o tom do espaço onde circulavam os membros da comissão técnico e do elenco gremista.

Se Renato moldou uma equipe baseada em toques curtos e posse de bola, Maicon e companhia foram o oposto na noite de terça-feira. Abusaram das bolas longas na área, especialmente em qualquer falta sofrida no campo de ataque. E tinham na estatura dos jogadores um trunfo.

Foi um dos pontos observados para Renato escolher Michel, bom cabeceador. O volante voou aos 16 minutos do segundo tempo e explodiu os 3 mil gremistas, muito bem ouvidos em boa parte do duelo.

– É uma qualidade da nossa equipe, alta e com bola aérea forte. O Renato citou antes da partida, o River tinha uma estatura menor que a nossa, tínhamos que aproveitar. E aconteceu. Quando não está dando na técnica, tem que ir na vontade – comentou Michel.

Kannemann (ao centro) espalhou espírito argentino ao time — Foto: Wesley Santos / Agência PressDigitalKannemann (ao centro) espalhou espírito argentino ao time — Foto: Wesley Santos / Agência PressDigital

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