Não é porque a bola não rola que o futebol está parado. Na sala de Roberto Melo no Centro de Treinamentos do Parque Gigante, de costas ao Guaíba, o vice de futebol do Inter tem o celular como um companheiro inseparável. Além de finalizar o planejamento para a próxima temporada, discute sobre reforços e outras questões do clube.

Às vésperas de iniciar o terceiro ano à frente do departamento de futebol, Melo tenta deixar o grupo o mais encorpado possível para Odair Hellmann já no início dos trabalhos, no dia 3 de janeiro. O dirigente sabe que a cobrança será grande por um título de relevância que não vem desde 2011, quando o clube faturou a Recopa. Mas está confiante no trabalho feito até aqui, confirmado com o terceiro lugar no Brasileirão e a volta à Libertadores após quatro anos.

O momento é bem diferente da pressão enfrentada no primeiro semestre de 2018, quando conviveu com protestos, sofreu ameaças e chegou a ter seu prédio pichado após as eliminações no Gauchão e Copa do Brasil. Com a autoestima do torcedor recuperada, Melo recebeu o GloboEsporte.com para uma entrevista antes do início de 2019 e projetou um “um grande ano” para os colorados.

Confira abaixo os principais trechos:

Balanço de 2018

“Acho que foi um ano bom. Começou difícil. Viemos de uma temporada de 2017 que não foi fácil. As expectativas foram todas superadas a partir da metade do ano. Montamos uma equipe competitiva, equilibrada, forte e chegamos a brigar pelo título. Faltou pouco. O Palmeiras sai um pouco da curva, em questão de grupo, atletas, investimento. Infelizmente não conseguimos o título, que era o nosso desejo. (Conseguimos) a vaga direta à Libertadores, trouxemos o Inter de volta ao cenário internacional. Acho que o torcedor se sentiu orgulhoso no final do ano com a campanha que fizemos. Um time que jamais se entregou dentro de casa. O torcedor vinha para o estádio com aquela confiança que venceria os jogos. Assim foi em quase todos os jogos, que tivemos um bom aproveitamento dentro de casa. Terminamos o ano bem, mas sabemos que temos que melhorar, qualificar mais a equipe, se preparar para fazer um 2019 melhor ainda e ir em busca de conquistas”.

Pressão no início do ano

“Não foi fácil, realmente. Seria mais fácil deixar o cargo. É mais fácil ir para casa, torcer na arquibancada, na televisão, junto à família e fazer um churrasco. É mais fácil isso do que sofrer a pressão, como foi o meu caso, de ter a vida privada invadida. Entendia que fazíamos um bom trabalho, as coisas eram bem feitas por toda gestão, comissão, Odair. Tínhamos convicção e mostramos forças para seguir. Eu falo sempre uma frase que o presidente também usa: ‘O futebol não é para os fracos’. Precisamos ter muita força, resiliência, convicção do que é feito. Suportamos tudo isso. Seria muito fácil deixar o cargo ou dar uma cabeça a prêmio. Geralmente é o que se faz com o treinador. Ainda mais um treinador jovem, que começava seu trabalho. Sofremos muita pressão para a saída do Odair, mas mantivemos o trabalho e deu resultado”.

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