LEONARDO HEITOR

Após se apresentar à Justiça depois de ter mandados de prisão expedido, o ex-deputado estadual e coronel aposentado da Polícia Militar, Pery Taborelli da Silva Filho (PSC), teve várias medidas restritivas estipuladas pelo juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, do Núcleo de Execução Penal de Cuiabá. Ao todo, serão 10 medidas restritivas contra o ex-parlamentar.

Taborelli foi condenado a uma pena de dois anos, quatro meses e 13 dias, por abuso de autoridade e privação de liberdade. A condenação, de abril deste ano, é relativa a um caso ocorrido em 2011, em Rosário Oeste, período em que ele era comandante do batalhão da cidade.

Entre as medidas restritivas, estão o uso de tornozeleira eletrônica; recolhimento noturno entre 20h00 e 6h00, inclusive finais de semana podendo sair apenas para trabalhar; proibição de ausentar-se do local onde está sendo monitorado depois do recolhimento; proibição de mudança de residência e de ausentar-se de Cuiabá e Várzea Grande; atender as intimações; não ingerir bebida alcóolica nem entorpecentes; não portar armas brancas ou de fogo; não frequentar lugares inapropriados, como casa de prostituição, casa de jogos, bocas de fumo; e não se envolver em qualquer tipo de infração penal. Com salário mensal de cerca de R$ 30 por ser aposentado da PM, Taborelli ainda terá que comprovar ao magistrado que tem atividade remunerada para que não tenha que pernoitar na Casa do Albergado.

De todas restrições, chama atenção o fato do magistrado proibir Taborelli de usar armas. Ele sempre teve uma postura de combate a criminalidade, sendo que ficou como primeiro suplente em 2014 pelo PV justamente com este discurso.

Após conquistar 18.526 mil votos, Taborelli chegou a assumir o mandato de forma efetiva no Legislativo, mas teve que deixar o cargo em setembro de 2016 . Ele foi substituído pelo deputado estadual Valdir Barranco (PT), que conseguiu registrar sua candidatura através de recurso no Tribunal Superior Eleitoral.

No ano passado, Taborelli disputou a prefeitura de Várzea Grande. Ele foi derrotado pela atual prefeita Lucimar Campos (DEM).

ENTENDA O CASO

Taborelli foi condenado por agir de forma truculenta contra três adolescentes durante a comemoração do aniversário de 150 anos de Rosário Oeste, ocorrida em 2011, época em que ele era comandante do batalhão da cidade. De acordo com o Ministério Público, sob o comando de Taborelli, os policiais abordaram um grupo de pessoas, onde supostamente havia adolescentes ingerindo bebidas alcoólicas. Taborelli chegou a questionar os organizadores da festa sobre a presença dos menores e desencadeou uma operação “Choque de Ordem”.

Ele mandou desligar o som e determinou que as pessoas fossem embora para casa. Contudo, três adolescentes foram colocados no camburão das viaturas, de forma truculenta, e levados até a delegacia da cidade.

Uma adolescente declarou à justiça que estava acompanhada dos irmãos maiores de idade e, mesmo assim, foi puxada pela camisa por Taborelli, até o momento em que a roupa se rasgou. Ela contou ainda o coronel puxou sua calcinha a ponto de machucar sua virilha.

Além dos adolescentes, outros adultos que estavam no local também foram detidos. Diante do caso, o desembargador Gilberto Giraldelli, relator do processo, votou pela condenação do militar.

A decisão foi acompanhada por unanimidade pelos membros da 3ª Câmara do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Além da prisão em regime semiaberto, Taborelli teve seus direitos políticos suspensos por três anos, multa de dez vezes o valor do salário recebido por ele na época e proibição de contratar com o Poder Público.

O juiz Geraldo Fidélis determinou a prisão preventiva de Taborelli após o oficial não conseguir localizá-lo para intimar sobre uma audiência. Após tomar conhecimento através da mídia da decisão do magistrado, Taborelli se apresentou de forma espontânea.

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