Da Redação Extra MT

O cabo Gerson Corrêa foi ouvido em audiência do caso “Grampolândia Pantaneira” nesta sexta-feira e durante o seu depoimento, confessou a prática dos crimes e afirmou, apontando detalhes sobre o caso, que os responsáveis pelos grampos ilegais seriam o ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques e o governador de MT Pedro Taques.

“Vim aqui hoje para trazer a verdade real”. A audiência prolongou na madrugada e durou mais de 15 horas.

Ele apontou o governador Pedro Taques (PSDB) e o ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, como os principais beneficiários do esquema: “Na minha convicção, o dono disso tudo é ele [Pedro Taques]”, disparou o policial militar.

“Você começa a perceber que os interesses não eram apenas do Zaqueu , mas sim do Paulo Taques e do governador do Estado, o senhor Pedro Taques. Não tenho a menor dúvida disto. Nunca ninguém do MP ou Judiciário me pediu nada”, revelou o cabo Gerson, que chorou diversas vezes durante o interrogatório e pediu desculpas à sociedade.

“O dono disso aqui não sou eu, nem o coronel Zaqueu. Os donos disso aqui são Paulo Taques e o governador Pedro Taques. Longe da Polícia Militar”, disparou o cabo. Este, inclusive, foi apontado pelo réu como o motivo de ter arrolado o chefe do Executivo como testemunha.

Entre as revelações, está a confirmação de que o ex-secretário Paulo Taques teria financiado o ‘Sentinela’: “Fui na casa dele [Paulo Taques]. Não perguntei nada, foi no carro, peguei o dinheiro e pronto”. O montante teria sido pago quando o acusado já atuava como gestor da Casa Civil.

O cabo adiantou ainda que as escutas feitas em José Patrocínio e no vereador Chico 2000 eram para “pegar crimes eleitorais dessas pessoas”. Contou ainda ter grampeado a conversa entre o ex-governador Silval Barbosa e o presidente Michel Temer (MDB) para tentar acelerar a soltura da ex-primeira dama Roseli Barbosa.

Em maio de 2017 o esquema dos grampos veio à tona com reportagem publicada pelo Fantástico. O esquema foi concebido na modalidade “barriga de aluguel”, quando investigadores solicitam à Justiça acesso aos telefonemas de determinadas pessoas envolvidas em crimes e no meio dos nomes inserem contatos de não investigados.

O grupo embolsou R$ 50 mil para comprar os primeiros equipamentos para as escutas.

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