Redação Extra MT 

O empresário da construção civil, proprietário da construtora Dínamo, Giovani Belatto Guizardi, reafirmou que foi o responsável por propor a divisão da propina proveniente de um cartel na Secretaria de Educação (Seduc). A confirmação aconteceu no depoimento prestado na Sétima Vara Criminal de Cuiabá, durante esta terça-feira (2). Os fatos revelados  são da Operação Rêmora.

Giovani foi responsável por instrumentalizar o esquema em 2015, após o fim do governo Silval Barbosa. Entre os maiores beneficiados pelos supostos pagamentos irregulares estavam o secretário da pasta, Permínio Pinto, o então deputado estadual Guilherme Maluf (atual conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso) e o empresário e também delator Alan Malouf.

“Dos 100% da propina arrecadada, 25% seria do seo Permínio, que era o dono da pasta, era o secretário, 25% eu coloquei que era do Guilherme Maluf,  braço político da organização, 25% era do seo Alan, para que fosse efetuado o pagamento que ele havia alocado na campanha do governador Pedro Taques, 5% para o Wander [Luiz dos Reis, servidor da Seduc], 5% Fábio Frigeri [servidor da Seduc], que era o braço direito do Permínio, 5% à taxa de administração, para bancar os custos da operação, 10% ficaria comigo”, afirmou  Guizardi.

Segundo o empresário, a divisão foi tratada individualmente durante reuniões separadas com todos os supostos beneficiados. A parte de Guilherme Maluf quase sempre era acertada com Alan Malouf. Porém,  de acordo com Guizardi, alguns acertos foram feitos diretamente com o então parlamentar.

A Operação Rêmora investigou esquema de fraudes em obras de reforma e construção de escolas que inicialmente estavam orçadas em R$ 56 milhões. Diversas empresas compunham, segundo o Ministério Público, cartel capaz de gerar favorecimentos e desvio de dinheiro público.

De acordo com o  Gaeco, a organização criminosa que vem sendo desarticulada desde a primeira fase da Operação Rêmora era composta por três núcleos: de agentes públicos, de operações e de empresários.

O núcleo de operações, após receber informações privilegiadas das licitações públicas para construções e reformas de escolas públicas estaduais, organizava reuniões para prejudicar a livre concorrência das licitações, distribuindo as respectivas obras para empresas, que integravam o núcleo de empresários.

Por sua vez, o núcleo dos agentes públicos era responsável por repassar as informações privilegiadas das obras que ocorreriam  e também garantir que as fraudes nos processos licitatórios fossem exitosas, além de terem acesso e controlar os recebimentos dos empreiteiros para garantir o pagamento da propina.

Já o núcleo de empresários, que se originou da evolução de um cartel formado pelas empresas do ramo da construção civil, se caracterizava pela organização e coesão de seus membros, que realmente logravam, com isso, evitar integralmente a competição entre as empresas, de forma que todas pudessem ser beneficiadas pelo acordo.

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