Arthur Santos da Silva/GD

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou seguimento na noite desta segunda-feira (18) ao pedido de liberdade em habeas corpus formulado pelo ex-secretário de Casa Civil de Mato Grosso, Paulo Taques, mantendo-o detido no Centro de Custódia da Capital (CCC) por suposta participação num esquema para desvios de R$ 30 milhões no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT).

Chico Ferreira

A decisão foi estabelecida levando em consideração que recurso semelhante no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ainda carece de julgamento do mérito. A instância que precedo o STF julgou apenas liminarmente o habeas corpus de Paulo Taques.

Antes de Weber negar seguimento, o Ministério Público Federal (MPF) salientou que as imputações feitas a Paulo Taques têm lastro no relato dos colaboradores e também em sólido conjunto de provas. “Este acervo probatório foi examinado, em profundidade, pelo prolator da decisão que decretou a prisão preventiva”, afirmou órgão.

O caso

Paulo Taques foi detido no dia 9 de maio durante a Operação Bônus, a segunda fase da Operação Bereré. Segundo investigação, em 2014, quando Pedro Taques (primo de Paulo Taques) foi eleito, organização criminosa que agia desde 2009 no Detran passou a planejar a sua atuação no novo governo, após saída de Silval Barbosa.

Conforme o Ministério Público, para dar prosseguimento aos crimes, Paulo Taques (exercendo o cargo de secretário de Casa Civil) foi convocado. Um contrato de serviços advocatícios chegou a ser firmado para dar aparente legalidade aos serviços de tráfico de influência.

Foi assinado um substabelecimento em que o escritório D’Almeida Cordeiro & Mesquita Advogados Associados, contratado pela EIG Mercados, repassava a Pedro Jorge Zamar Taques (irmão de Paulo) os poderes que lhe foram outorgados para a defesa dos interesses de tal empresa.

Conforme interpretação do Ministério Público, o contrato era apenas uma forma de garantir o pagamento de propina a Paulo Taques em troca da garantia da manutenção do esquema durante o novo governo.

Na Operação Bônus, além de Paulo Taques, foram presos preventivamente Pedro Jorge Zamar Taques, o deputado estadual Mauro Savi e os empresários Roque Anildo Reinheimer, Claudemir Pereira dos Santos, vulgo “Grilo” e José Kobori.

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