O Globo

Intimado a prestar depoimento desde o mês passado, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro , Fabrício Queiroz , informou nesta terça-feira ao Ministério Público do Rio que está internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e que no dia 1º de janeiro submeteu-se a uma cirurgia para retirar um tumor maligno do intestino.

Segundo o documento encaminhado pela defesa de Queiroz ao MP, o ex-assessor foi diagnosticado com neoplasia de cólon sigmoide (câncer de cólon). A defesa afirma ainda que o seu cliente passará por nova avaliação de médicos para avaliar qual o melhor tratamento quimioterápico realizará.

No documento enviado ao MP, a defesa informa ainda que as familiares de Queiroz não vão comparecer ao depoimento marcado para esta terça-feira. Afirma que a mulher do ex-assessor, Márcia Aguiar, e as filhas se mudaram temporariamente para São Paulo, onde devem permanecer por tempo indeterminado até o fim do tratamento médico de Queiroz. Por esse motivo, segundo a defesa, não poderão comparecer ao depoimento, mas elas se comprometem a ir ao órgão para prestarem esclarecimentos assim que o quadro de saúde do ex-assessor apresente melhora.

Márcia e a filha de Queiroz, Nathália Melo de Queiroz, foram empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro. Nathália também foi lotada no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara. Outra filha do ex-assessor, Evelyn Melo de Queiroz, ainda está no gabinete de Flávio.

De acordo com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), foi registrada movimentação financeira de R$ 1,2 milhão, considerada atípica, nas contas de Queiroz. O ex-assessor recebeu em suas contas bancárias transferências e depósitos feitos por oito funcionários que foram ou estão lotados no gabinete parlamentar de Flávio na Alerj. A suspeita é que o caso constitua desvio dos salários dos assessores, mas até agora não há provas que envolvam Flávio Bolsonaro em irregularidade. Entre os repasses, estão transferências vindas de Márcia e Nathália. Para Evelyn, Queiroz repassou dinheiro.

Entre as movimentações atípicas registradas pelo Coaf, há também a compensação de cheques que somam R$ 24 mil pagos à primeira-dama Michelle Bolsonaro, além de saques fracionados em espécie. O presidente afirma que o cheque é parte do pagamento de uma dívida de R$ 40 mil.

O ex-assessor faltou duas vezes a depoimento marcado no Ministério Público do Rio, alegando problema de saúde. Em entrevista ao SBT, Queiroz disse que o valor em dinheiro que movimentou em suas contas é fruto da compra e venda de veículos usados e que um câncer o impossibilitou de prestar depoimento.

Ele não explicou por que recebeu tantos depósitos de assessores de Flávio em sua conta e nem a origem do dinheiro. Limitou-se a dizer que vai esclarecer o assunto para o Ministério Público. Na entrevista, o ex-assessor também procurou eximir de responsabilidade Jair Bolsonaro.

 

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