Da Redação

O ex-secretário municipal de Saúde da Capital, Huark Douglas Correa, além dos médicos Luciano Correia Ribeiro e Fábio Liberali Weissheimer, foram transferidos para o 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros de Cuiabá na última sexta-feira (19). O trio é suspeito de um esquema, investigado na operação “Sangria”, que teria causado um prejuízo de pelo menos R$ 8 milhões aos cofres públicos municipais.

Huark Douglas, Luciano Correia e Fábio Liberali estão presos desde o dia 30 de março de 2019 após o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), Alberto Ferreira de Souza, revogar as medidas cautelares que havia imposto aos suspeitos que foram presos pela primeira vez em dezembro de 2018. Eles estavam detidos no Centro de Custódia da Capital (CCC) e foram transferidos após autorização da juíza da 7ª Vara Criminal da Cuiabá, Ana Cristina Mendes.

O processo se encontra sob segredo de Justiça. Huark Douglas e Fábio Liberali deixaram a prisão no dia 28 de dezembro de 2018 após decisão do desembargador Alberto Ferreira de Souza sob a condição de não se ausentarem de Cuiabá, além de responder a todos os atos do Poder Judiciário Estadual.

Luciano Correia deixou antes a prisão, no dia 23 do mesmo mês. Todos eles, entretanto, voltaram a ser presos em 30 de março de 2019 após a revogação do benefício concedido pelo magistrado Alberto Ferreira.

Outras quatro pessoas também haviam sido presas no dia 30 de março por conta das fraudes. Todavia, no dia 10 de abril, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça deferiu os pedidos de habeas corpus dele sob alegação de integrarem o “grupo subalterno” das supostas fraudes.

Apontados como líderes, os três médicos seguem detidos.

SANGRIA

A operação “Sangria” teve sua primeira fase deflagrada no dia 4 de dezembro de 2018. As investigações apuram supostas irregularidades em contratos firmados com a Empresa Cuiabana de Saúde Pública (Ecusp), ligada à prefeitura de Cuiabá, com empresas que já tiveram como representante o ex-secretário de saúde da Capital, Huark Douglas Correia. Ele foi preso na 2ª fase da operação, ocorrida no dia 18 de dezembro de 2018.

Além de Huark, foram expedidos mandados de prisão contra Fábio Liberali Weissheimer, Fábio Alex Taques Figueiredo, Celita Natalina Liberali, Kedna Iracema Fontenele Servo Gouvêa, Adriano Luis Alves de Souza e Luciano Correia Ribeiro, além de Flávio Taques. Do grupo, apenas Taques permaneceu foragido, se entregando no dia 2 de janeiro deste ano. Todos já se encontram fora da prisão – exceto Huark, Fábio e Luciano.

A Empresa Cuiabana de Saúde Pública foi a escolhida para realizar a administração do novo Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, inaugurado em Cuiabá no dia 28 de dezembro de 2018. O modelo de gestão adotado pela prefeitura municipal para “tocar” a nova unidade de saúde, entretanto, vem chamando a atenção dos órgãos de controle estadual e federal.

A Empresa Cuiabana é investigada após a realização de pagamentos superiores a R$ 14,6 milhões a empresas privadas, que prestam serviços a organização ligada a prefeitura da Capital, e que por sua vez já tiveram como representante o ex-secretário municipal de saúde de Cuiabá, Huark Douglas Correia.

Além do Poder Judiciário, o negócio entre a prefeitura de Cuiabá e a Ecusp também é alvo do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). O Pleno do órgão homologou no dia 19 de dezembro de 2018 uma medida cautelar, de autoria da conselheira interina Jaqueline Jacobsen, suspendendo a transferência da gestão do novo Pronto Socorro de Cuiabá para a Empresa Cuiabana de Saúde Pública. A organização, criada em 2013 durante a gestão Mauro Mendes (DEM), também é investigada pela Procuradoria-Geral da República.

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