Da Redação – Érika Oliveira/Da Reportagem

Local – Carlos Dorileo

“Eu vou repetir isso muitas vezes, para ver se as pessoas entendem”, exclamou o governador Mauro Mendes (DEM), ao reafirmar que o Estado não tem dinheiro para cumprir com suas dívidas. A fala ocorreu durante encontro com prefeitos na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) nesta semana, quando questionado por jornalistas se havia acordo para o pagamento das emendas parlamentares, que serão destinadas pelos deputados às Prefeituras. O chefe do Executivo ponderou, no entanto, que parte dos R$ 180 milhões previstos será repassado.

“Não basta ter orçamento, não basta ter emenda, tem que ter dinheiro. Se tiver o dinheiro, ok, eu pago. Mas não tem dinheiro, certo?! Se eu chegar no cidadão e disser: ‘olha, para pagar as emendas aos municípios, você cidadão vai pagar essa conta, eu vou aumentar os impostos’. O cidadão quer? Se eu falar que vou arrumar mais R$ 150 milhões, eu tenho que aumentar de 15% a 20% de ICMS da energia elétrica para arrumar esse dinheiro, o cidadão topa? Com certeza não. Então, meus amigos, nós temos que entender essa realidade definitivamente. O Estado brasileiro, ele não produz riqueza, quem produz é o cidadão. Eu vou repetir isso muitas vezes para ver se as pessoas entendem”, declarou, na manhã desta quinta-feira (16).

Em março, Mendes decidiu vetar as emendas alegando seguir uma orientação da Procuradoria Geral do Estado (PGE), que alertou para o estouro da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) neste ano, caso o pagamento fosse efetuado.

Aliado de primeira hora do governador, o presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (DEM), se irritou com o veto às emendas e disse, na ocasião, que não iria aceitar que Mendes repita os erros do ex-governador Pedro Taques (PSDB). Os vetos foram integralmente derrubados.

“Nós criamos uma regra com os deputados e uma parte, sim, nós vamos trabalhar, vamos priorizar e vamos pagar. Agora, não dá para pagar tudo aquilo que eles colocaram, porque não estava previsto, inclusive, no orçamento. Não dá para criar um número e depois não ter o dinheiro”, ponderou o governador, sem explicar de que forma as emendas serão pagas nem a quantia que o Estado vai conseguir repassar.

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