Redação Extra MT

A deputada estadual Janaína Riva (MDB) solicitou, na  sessão desta terça-feira (16), que o procurador-geral de Justiça, José Antonio Borges, seja convidado à prestar esclarecimentos, na tribuna da Assembleia Legislativa,  sobre  o suposto envolvimento de membros do Ministério Público Estadual (MPMT) no esquema de grampos telefônicos ilegais  no Governo de Pedro Taques  (PSDB).

A parlamentar foi citada nos  depoimentos prestados pelo ex-comandante da Polícia Militar de Mato Grosso, Zaqueu Barbosa e o coronel Evandro Lesco, como uma das pessoas grampeadas de forma irregular na ‘grampolândia pantaneira’.

Em seu discurso, na sessão que ultrapassou à meia-noite desta terça (16), Janaina  citou que existe uma “banda podre” do órgão.  “Depoimento vergonhoso que os militares envolvidos no caso dos grampos ilegais do ex-governador Pedro Taques, fizeram na tarde desta terça-feira (16), que expôs uma banda podre do Ministério Público e que uma instituição que deveria constitucionalmente zelar pelos direitos dos cidadãos, teria patrocinado os grampos ilegais e violado o direito fundamental à privacidade de centenas de pessoas  incluindo eu”, discursou a deputada.

Janaina ainda aproveitou para questionar se os ‘fins justificam os meios’ e também quem são os verdadeiras bandidos desta história. “Pedi que o presidente Eduardo Botelho convide o procurador-geral de Justiça para prestar esclarecimentos sobre o assunto”, ponderou. E finalizou dizendo que  os culpados precisam ser punidos. “A sociedade precisa de uma resposta e que os culpados sejam punidos com a mesma mão de ferro que o MP usa para acusar aqueles que não fazem parte da instituição”, concluiu.

Apuração

O procurador-geral de Justiça José Antônio Borges determinou nesta terça-feira (16) a instauração de procedimento administrativo para investigar possível ocorrência de desvio de finalidade na utilização de “verbas secretas” do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), no período compreendido entre o segundo semestre de 2015 e o primeiro semestre de 2016.

Procedimento foi instaurado diante da divulgação de trechos de depoimento prestado pelo cabo Gérson Corrêa no processo do caso conhecido como ‘grampolândia pantaneira’. O militar acusou o Gaeco de falsificar prestações de contas.

Segundo nota do Ministério Público, as verbas são destinadas a cobrir despesas operacionais em procedimentos investigatórios reservados que exigem sigilo, porém há um controle do seu uso por meio de prestação de contas.

Em seus depoimentos na tarde de terça-feira, os coronéis Zaque e Lesco confessaram participação nos grampos, disseram que tudo teria sido feito a mando do ex-governador Pedro Taques e que Janaína Riva teria sido alvo de grampo ilegal.

Conforme Lesco, Janaína Riva teria sido grampeada na Operação Metástase, a pedido do promotor de Justiça Marco Aurélio, chefe do Gaeco. O ex-vereador João Emanuel, ex-marido da deputada, também foi outro alvo da arapongagem.

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