Welington Sabino/GD

“O Brasil vive uma revolução silenciosa e não é só a revolução da ética e da moral, a Lava Jato passando a limpo. Têm alguns símbolos que todos podem prestar atenção, o primeiro deles é o fim do caciquismo na política que as tomadas de decisões são de cima pra baixo e as pessoas são obrigadas a acatar sem decidir”. O discurso é do vice-governador Carlos Fávaro (PSD) que anda insatisfeito com os rumos do atual governo sob o tucano Pedro Taques.

Porém, o pano de fundo para as declarações de Fávaro, dadas no último sábado (24) no encontro do PTB, partido que faz oposição ao governo do Estado, são os atritos envolvendo a bancada social-democrata na Assembleia Legislativa. Pelo menos 4 dos 5 deputados do PSD insistem em permanecer apoiando o governo após a legenda ter declarado, na semana passada, independência no Legislativo Estadual e colocado os cargos à disposição do governo.

Sentado na mesa de autoridades ao lado de integrantes PTB, PR e DEM, partidos que estão conversando para buscar um nome forte para derrotar Pedro Taques nas urnas, Carlos Fávaro teceu elogios aos organizadores do ato de filiações do PTB. Disse que o encontro, ao reunir centenas de pessoas de várias cidades de Mato Grosso para discutir política, mostrou que o povo está com vontade de revolucionar o país.

“Sem que seja imposta as autoridades, sem medo, sem chantagem e sob coação. São palavras que têm que ser banidas da política. Tem que ser democrático. Veja os símbolos que acontecem aqui no estado de Mato Grosso. O nosso partido de forma democrática sentou numa reunião longa, ouviu as lideranças, os diretórios municipais e tomou de forma muito democrática a decisão da independência para construir um projeto pra 2018”, justificou Fávaro.

Marcus Vaillant

Fávaro integra o governo Pedro Taques, mas discurda de várias ações e decisões do tucano

Nas entrelinhas, seu discurso também foi interpretado como críticas diretas ao governador Pedro Taques que possuiu um perfil centralizador e é alvo de críticas, inclusive de aliados, a exemplo de Fávaro que também faz parte do atual governo, mas vem criticando publicamente algumas ações da atual gestão.

O vice-governador também teceu elogios ao evento do Democratas realizado na noite da última sexta-feira para receber novos filiados e 5 dissidentes do PSB.

“Com essa mudança de paradigma político nós vamos fazer um Brasil melhor e um estado de Mato Grosso cada vez melhor, onde a sociedade pode participar da tomada de decisão, falar o que quer de política pública. Tenho certeza, um Estado melhor, mais eficiente e menos atrapalhador para que possa sobrar à sociedade um serviço público de qualidade, ao empresário a oportunidade de investir sem que tenha o peso nos seus ombros de um Estado que é injusto, um Estado às vezes até corrupto. Isso precisa acabar”, discursou Fávaro para um auditório lotado sendo ovacionado ao final de sua fala.

Chico Ferreira

Carlos Fávaro participando de evento do PTB, partido que faz oposição ao governo de Pedro Taques

“Tenho certeza que essa união de forças dos nossos partidos políticos, a união da discussão democrática sem medo algum de ameaça vai fazer com que nós teremos um grande projeto para Mato Grosso em 2018, para os próximos 4 anos. Vou enfileirar junto com muito carinho as fileiras do PSD para caminhar com esse grupo político e fazer Mato Grosso cada vez melhor e mais justo”, enfatizou o vice-governador ao deixar nítido que o PSD pretende formar chapa com partidos da oposição a Pedro Taques.

Sobre o fato de ainda ser parte do atual governo e manter conversa com a oposição fazendo críticas em público, o vice-governador deixou claro que o compromisso do PSD com Taques é até dezembro deste ano. Enfatizou que em nenhum momento foi repactuado apoio para a próxima gestão de 2018 a 2022. “O momento é de discutir o melhor pra Mato Grosso. E o melhor pra Mato Grosso o PSD vai estar. Com muita dedicação estou cumprindo a missão que nos foi dada pela imensa maioria da executiva do partido de estar dialogando com os líderes políticos, dialogando com a sociedade pra construir um Mato Grosso cada vez melhor”, ressaltou.

Insatisfeitos podem sair do PSD

Divulgação

Deputados do PSD reunidos com o governador reafirmando apoio ao tucano mesmo após decisão do partido de atuar com independência na AL

Fávaro garante que a decisão de independência na Assembleia Legislativa em relação ao governo e entrega dos cargos foi democrática, tomada por imensa maioria da executiva do partido. E deixa claro que os deputados insatisfeitos deverão que tomar seus rumos, ou seja, podem aproveitar o prazo da janela partidária para buscarem outra legenda para se filiarem.

“Acabou o caciquismo em Mato Grosso e alguns ainda não compreenderam isso. Pelo menos no PSD ninguém manda de cima pra baixo. Fizemos isso de forma muito democrática e eu compreendo o movimento dos deputados, seus compromissos. Fiz isso antes do dia 7 de abril para que eles não possam julgar o partido e dizer que estavam presos dentro da legenda e insatisfeitos. Aquele que não entender os rumos do PSD tem a oportunidade de tratar seu rumo pessoal e vou compreender isso de forma muito democrática. Não posso prender ninguém que esteja insatisfeito, eu nunca faria isso. Se o princípio da democracia é estar com a imensa maioria eu vou estar com essa maioria”, argumentou.

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