Redação 

Ainda que a cassação da senadora Selma Arruda (PSL) dependa da confirmação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do esgotamento de todos os recursos possíveis, a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/MT) em convocar novas eleições para a vaga reacendeu o clima pré-eleitoral no Estado.

O GD conversou com alguns candidatos derrotados na disputa ao Senado do ano passado, para saber se os mesmos têm pretenções de voltar a disputar a vaga, caso se confirme a cassação da juíza aposentada do cargo.

Para o ex-deputado federal Adilton Sachetti (PRB), uma nova eleição para a vaga seria inédita e diferente de todos os pleitos já realizado.
“Será zero a zero para todo mundo. Porque será uma eleição sem candidatos a governo e a deputado. Então será uma candidatura solitária. Vamos aguardar”, disse.

Sachetti não esconde a pretensão de disputar a vaga novamente, caso seja convocado novas eleições. “Vou trabalhar para ser candidato sim. Vou conversar e organizar o partido para disputarmos esta vaga sim. Mas isso só depois que o TSE julgar todos os recursos que ela [Selma Arruda] tem direito”, afirmou.
Sachetti ficou em 4º lugar, dos 11 que disputaram o Senado nas eleições do ano passado.

Já o ex-deputado Nilson Leitão (PSDB), que terminou em 5º na disputa, disse que não está trabalhando com a ideia de que Selma Arruda perderá o mandato. “Se depender das minhas orações, ela continuará senadora. É preciso respeitar o eleitorado mato-grossense que a escolheu como representante”, disse o tucano.

“Hoje não se pode falar deste assunto porque ela é a senadora. E até o trânsito em julgado, ela é inocente. Então não tenho como dizer sobre uma eleição que nem sabemos se ocorrerá”, completou.

Leitão foi companheiro de Selma Arruda na chapa ao Senado, que foi encabeçada pelo ex-governador Pedro Taques (PSDB), que não conseguiu se reeleger ao cargo.

Selma e Leitão tiveram um rompimento durante o pleito. O fato ocorreu após a delação do ex-secretário Permínio Pinto (PSDB) ter sido divulgada, já Leitão e Taques são citados pelo ex-secretário.

“Não quero comentar este assunto. É claro que nosso nome sempre é lembrado quando se fala em eleição. Mas só depois que tudo estiver definido, transitado e julgado, é que poderei dar a minha opinião, se o PSDB deve disputar ou não, ou se eu tenho interesse nesta disputa”, concluiu.

Já o advogado Sebastião Carlos (Rede), que disputou o senado, terminando em último lugar, praticamente descartou voltar a concorrer para a vaga.

“Provavelmente esta nova eleição terá o mesmo vício das demais. Vão gastar milhões, com apoio de setores que tem interesse nesta vaga. Então não vou disputar. Se não houver uma mudança e uma união das forças políticas que realmente querem mudança e ética, eu não pretendo disputar.

Ele foi o autor da denuncia contra Selma Arruda no TRE que culminou na ação eleitoral que cassou a juíza aposentada.

“Quando eu fiz a denúncia eu não recebi apoio de ninguém. Todos falaram que não daria em nada. Mas agora, muitos tentam tomar vantagem dessa ação. Fiz isso como cidadão e não por interesse pessoal. Até porque na época sabia que não ganharia a eleição”,disse ao GD.
Segundo Sebastião Carlos, o ingresso com a ação no TRE foi uma clara demonstração de cidadania da sua parte, e espera que isso sirva de exemplo para a sociedade.”Essa ação é para mostrar que qualquer pessoa pode buscar a justiça quando ver alguma coisa errada”.

Além de Sebastião Carlos, Leitão e Sachetti, também disputaram o senado em 2018: Maria Lúcia (PCdoB), Procurador Mauro (Psol), Waldir Caldas (Novo), Aladir (PPL), Gilberto Lopes (Psol) e Carlos Fávaro (PSD).

Fávaro admite que pretende disputar novamente o pleito. Tanto que foi cooautor da ação e sua defesa chegou a pedir para ele assumisse a vaga enquanto não houvesse novas eleições. Porém, a tese foi vencida por 6 votos a 1.

Já o procurador Mauro, disse que não pretende disputar o próximo processo eleitoral por questões particulares.
Os demais nomes não foram localizados para comentar o assunto.

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