João Pedro Pitombo/Folha de SP

Não durou 30 dias a aliança selada entre PSDB de Geraldo Alckmin e o PSL de Jair Bolsonaro no estado de Mato Grosso. Candidata ao Senado, a juíza aposentada Selma Arruda (PSL) rompeu com o governador Pedro Taques (PSDB) e com o deputado federal Nilson Leitão (PSDB), também candidato ao Senado na mesma chapa.

A aliança foi rompida após um desentendimento entre Selma Arruda e Nilson Leitão em relação à distribuição do tempo de televisão dos candidatos ao Senado da chapa —a candidata do PSL ficou com um tempo muito inferior ao seu parceiro de chapa. Além do desentendimento em relação ao horário eleitoral, Selma Arruda justificou a sua decisão em uma rede social citando a homologação da delação premiada do empresário Alan Malouf.

“Minha permanência nessa coligação não é mais admissível”, afirmou Selma Arruda em uma rede social.

Conforme revelado em reportagem da Folha, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, deu aval ao acordo de delação premiada do empresário que diz ter participado de um esquema de repasses de caixa dois e desvio de dinheiro público que envolveria Pedro Taques. Nilson Leitão (PSDB) também é citado como uma das lideranças do esquema. Taques e Leitão negam ter cometido irregularidades.

Em nota, o presidente estadual do PSDB, Paulo Borges, diz que o discurso de Selma Arruda é contraditório. “Selma inventou factoides, pois concluiu que seria melhor ela se distanciar do palanque de partidos tradicionais para tentar diminuir o desgaste e fortalecer o discurso radical sintonizado com o presidenciável Jair Bolsonaro”, afirmou.

Sobre o programa eleitoral, Paulo Borges afirma não ser justo uma divisão igualitária do tempo entre os candidatos, já que o PSDB possui maior tempo de televisão que o PSL.

A coligação entre PSDB e PSL foi firmada a despeito da resolução assinada no dia 3 de julho pelo presidente nacional em exercício do PSL, Gustavo Bebianno, na qual o partido veta alianças com PSDB e outros oito partidos.

No documento, o presidente ainda afirma que os diretórios estaduais que contrariassem a orientação do partido poderiam ter suas convenções anuladas pelo diretório nacional. A juíza aposentada Selma Arruda é considerada como uma das candidatas majoritárias mais competitivas do PSL nos estados.

Apelidada de “Sergio Moro do Mato Grosso” de adoção de prisões preventivas, foi ela quem decretou em 2015 a prisão do ex-governador Silval Barbosa no âmbito da Operação Sodoma.

 

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